Eu dobro como quem respira.
Dobrar: comunhão cotidiana
tão entranhada em mim
como o ar que alimenta a vida.
Dobrar: estado de meditação
e quando estou lá
não há mais eu
nem nada
nem ninguém.
Zazen.
Dobro como uma catarse
para limpar a alma,
arejar os cantos
me reinventar.
Dobrar me remete ao vazio.
Aqui e agora.
Essência.
Quando dobro sou pura existência,
desapego,
totalidade.
Já não mais eu,
mas ela através de mim.
Silêncio,
entrega,
contemplação.
Dobrar é a melhor forma que encontrei de oração.
Márcia Krone