LIVRO ZEN ORIGAMI

Mandalas in action integrantes do LIVRO "ZEN ORIGAMI" no qual estou trabalhando.
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15 dezembro 2014

PARA UM MENINO QUE ESTÁ INDO EMBORA

Hoje logo cedo o telefone tocou e a notícia que recebi tingiu meu coração de cores tristes. Em horas assim, é como se a gente não coubesse dentro da gente mesmo... sensação de quem vai implodir. 
Às vezes, quando estou feliz, eu crio estrelas. Alegria. Mas há dias como o de hoje em que estou pura agonia, então...


 TUTORIAL:
Recorri ao origami para transmutar a energia. Para alguns pode parecer louco, mas na verdade, é travessia: vales, montanhas, idas e voltas, círculo, encontro, infinito. Ao fim, já estou vibrando de outra forma.
 Há pouco, a mesma pessoa que me ligou cedo, telefonou novamente. E disse:
-"Assim é injusto: você pode tocar piano, pintar, criar, fazer poesia,  dobrar, cantar e sentir-se melhor. Eu tenho que arrumar casa, lavar, limpar, organizar, ter um trabalho danado, para chegar a isso,  rs!" E eu a fiz recordar do sucesso que é na cozinha, lugar onde sou um zero.De seu talento para fazer as pessoas rirem. E é assim - cada um com seu caminho. Somos diferentes para enfeitar o mundo. 
Muitas vezes, precisamos dar uma volta imensa, fazer coisas e coisas até alcançar o maravilhoso estado do "não fazer". Lembrei também de uma informação preciosa que recebi outro dia de Didier Boursin. Ele escreveu me parabenizando pela variante que fiz de sua caixinha triangular e citando a palavra "simples"  disse que provém do latim - simplex - que se opõe à "complexo" - termo que significa muitas dobras. Eu jamais havia refletido a respeito e achei muito interessante e enriquecedor.
Pesquisando um pouco mais a respeito, encontrei que "simplex' seria a visão límpida, não comprometida do real" . E tudo ficou claro, redondo como um círculo: quando o ar faltou, fiz poesia, criei essa estrela em papel triangular, pois o três fala de movimento, de impermanência, transição e ao fim, consegui vivenciar esse "indo embora" como passagem, permissão para seguir viagem e a dor ficou menor, transformada em compreensão. 



22 novembro 2014

MKRONE com agradecimentos a Didier Boursin (caixa)

Essa caixinha foi feita já há algum tempo, mas aguardava um momento oportuno para publicá-la. Acho que está entre minhas criações preferidas, pela forma, pela praticidade pelas aplicações que oferece, mas sobretudo pelo processo de montagem, deslizando papéis como eu jamais havia tentado ou visto.
É construída a partir de três quadrados de papel que deslizando, se encaixam e só aí começam as dobras.
 E pode ser empilhada...tomando um formato quase piramidal.
Há poucos anos ganhei uma caixinha muito semelhante a essa e que adorei. Fora dobrada por Conceição Barros e Tania Sant`Anna. `Aquela época, fiquei fascinada com o modelo, totalmente original em relação a qualquer outro que eu conhecesse. Desdobrei-a depois para entender como fora feita. Nasce de um papel retangular que a partir de dobras e corte, transforma-se em um trapézio. O trapézio vai virando triângulo e este, caixinha. 
Foi só quando criei minha própria caixinha triangular, partindo de três papéis quadrados, sem cola e sem corte, que fui pesquisar a quem pertencia o modelo que recebi de presente. E soube então que fora criada por Didier Boursin, um artista graduado em arquitetura em Paris, professor de artes visuais e design , com grande contribuição ao origami, indo de campanhas publicitárias e catálogos com nomes que incluem Cartier e WWF, a  um número significativo de livros, entre eles,  "Le livre de L´Origami.Pliages à vivre et à joeur" onde apresenta o diagrama de sua caixa triangular.
Tempos depois, estava eu em Maricá com a bancada cheia de papéis quadrados e brincando com eles, deslizei-os até abraçarem-se como um sanduíche. Foi preciso alinhar as pontas e só então nasceu a caixa que posto aqui, pela qual, é claro, também me apaixonei.
Recentemente fiz contato com Didier Boursin narrando-lhe o ocorrido e pedindo autorização para publicar essa caixa como variação da sua. E ele gentilmente respondeu que sim. Na foto abaixo, a minha:
Neste caso, a caixa triangular:
* nasce de papéis quadrados.
 * é modular.
                             * pode ser feita a partir de qualquer tamanho de papel. 
*não há cortes
* permite duas alturas mantendo as outras dimensões.
 TUTORIAL: 
Observações: 
4 e 5 - as duas pontas devem ser justapostas com exatidão
7 - cuidadosamente deslize os papéis até que as pontas estejam perfeitamente alinhadas.
8 - faça uma v.f. levando a ponta à direita até a pequena marca que delimita o meio do papel verde, obtida no passo 3.
12- leve o bico superior até o centro da dobra do passo 11.
13 -com uma m.f. a pontinha que sobra é embutida e as duas pontas laterais serão dobradas exatamente como no passo 12.
15- vire o modelo e a ponta amarela que sobra é também levada em m.f. para baixo do papel.
17 - todas as dobras feitas, só falta o fechamento.
18 - a partir de agora, nem é preciso seguir o tutorial - a caixa tem bolsos superiores e inferiores em todas as pontas e é só escolher qual cor se quer evidenciar. Uma ponta será embutida no bolso inferior...
20 -  e outra no superior.

No tutorial abaixo, a mesma caixa, permitindo maior altura mantendo as outras dimensões, se for alterada  a localização das dobras a partir do passo 11 do diagrama acima e continuar assim:
12- as três pontas são levadas em v.f. ao centro do triângulo.
13 o procedimento posterior é feito da mesma forma.
No foto a seguir a mesma caixa,  sendo a da frente, pelo primeiro tutorial e a dos fundos,mais alta, com passos 1 a 11 pelo primeiro tutorial, caminhando depois para o  seguinte cujo modelo é em papel kraft.
Aberta, fica assim:

Serve também para ser guardada dentro de outras idênticas e maiores, como naquela brincadeira onde o presente é uma caixa, dentro de outra caixa, dentro de outra, até que finalmente o mimo é revelado!


E pode servir quase como um Tangram. Abaixo, com o cartão como se fosse a copa de uma árvore de Natal, afinal, estamos quase lá. Que seja feliz.